domingo, 6 de novembro de 2011

Apresentando Bárbara Cavalcante, minha irmã.

‎- porque sofrer assim por um sentimento que ainda existe ? estou começando a ter a certeza de que nunca vou te esquecer . não é possível que vai ser o homem da minha vida e ainda não se deu conta disso . não se deu conta também de que me amas e cada boca que beijas, só lembras de mim e do meu beijo . porque só ele te completa e a mim também . eu ainda não desisti do meu sonho , que é ter você de novo só pra mim . não quero você , por ser um lindo rosto , mas pelo seu caráter e pelo tanto que me amas assim como eu te amo . não me iludi por você , apenas me encantei com um simples olhar sincero em minha direção e um sorriso lindo como o por do sol . mas Deus está sempre comigo e é ele que me conforta , que me ajuda , me dá carinho e tudo que eu preciso nesse momento , e ele me diz também pra ter paciência e muita fé , e que no momento em que eu menos esperar essa situação vai se resolver e eu vou ser feliz , do jeito que eu mereço . o mundo dá voltas e é Deus quem faz girar . autoria :Bárbara Cavalcante

sábado, 2 de abril de 2011

CRUZ INVERTIDA

A Crucificação de São Pedro, de Caravaggio
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Cruz Invertida

“Oh! Cruz Invertida? Não! É a mesma cruz

Que morreu o Senhor, o Altíssimo Jesus.”

(Rommel Werneck)

Pesaroso do fim, mas exultante e forte,

a Cruz Pedro carrega ao lugar do martírio.

Ao seu carrasco pede o apóstolo que tire-o

da glória de sofrer do Mestre a mesma morte.

E pregam-no na Cruz, e embora o prego corte

as carnes, o homem olha o céu, sublime lírio.

A dor é glória. O Mestre além sente que mire-o

quando, invertida a Cruz, cruéis lhe dão a sorte.

Cruz invertida! Pedro, em ti repete o império

a execução, a dor, castigo jamais visto,

o que teu Senhor teve; em ti de novo fere-O.

Cruz invertida! Pedro, uma verdade assoma:

Se nessa mesma Cruz Roma prostrou o Cristo,

em ti, nela invertida, o Cristo vence Roma.


Filipe Cavalcante

quinta-feira, 3 de março de 2011

ÉSQUILO E SOCOS


Orestes perseguido pelas Fúrias, de William Adolphe Bouguereau
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Há meses já que uma nossa professora do curso de Direito trabalha conosco, fora das aulas, como atividade complementar à carga horária, a leitura e a explanação da tragédia grega. Em Ésquilo estão tratados brilhantemente diversos pontos da doutrina jurídica. A mestra, amante das artes, quer que, pelo Direito, tenhamos contato com a alta Literatura.

Eu, no entanto, com pouco talento para as Leis e curiosíssimo quanto às Letras, tenho freqüentado tais reuniões não por Têmis, e sim unicamente pelas Musas. Vou lá para ver Clitemnestra tramar a morte de Agamêmnon, seu marido, assassiná-lo, confessar e defender-se lembrando a maldição que cerca os filhos de Atreu.

“Ousais então dizer que este feito

somente a mim se há de atribuir?

Não deveis mesmo acreditar que eu seja

a esposa de Agamêmnon; sob a forma

da companheira deste homem morto

foi na verdade o gênio vingador

acerbo e antiqüíssimo de Atreu,

do anfitrião cruel, que se quitou

do sacrifício ímpio de crianças

ao imolar agora este guerreiro.”

Eis a Oréstia, trilogia de Ésquilo. Aí está a sina dos filhos de Atreu, homem nefando, ímpio assassino de crianças, que condenou a própria semente à desgraça. Aí está Agamêmnon a ser apunhalado pela esposa; e seu filho Orestes a assassinar a própria mãe, condenando-se à perseguição das Fúrias vingadoras do crime consangüíneo. E por fim vê-se aí a sábia deusa Atena a instituir o justo tribunal, que absolve Orestes, e pelo qual passariam os criminosos dali em diante.

“ATENA

Prestai toda a atenção ao que eu instauro aqui,

atenienses, convocados por mim mesma

para julgar pela primeira vez um homem

autor de um crime em que foi derramado sangue.

A partir deste dia e para todo o sempre

o povo que já teve como rei Egeu

terá a incumbência de manter intactas

as normas adotadas neste tribunal

. . . . . . . . . . . . . . .

Sobre esta elevação digo que a Reverência

e o Temor, seu irmão, seja durante o dia,

seja de noite evitarão que os cidadãos

cometam crimes, a não ser que eles prefiram

aniquilar as leis feitas para seu bem”

.

. .

Por estes dias, a turma discutia uma possível mudança nos horários das aulas. E era esse o assunto em uma das rodas de conversa formadas nos intervalos entre uma aula e outra e à qual me uni.

– Pra que mexer no horário todinho só por causa de uma coisinha dessas? – dizia um dos meus amigos aludindo ao motivo caprichoso da mudança. – E ainda se vai prejudicar a reunião do grupo de estudo da tragédia!

Então, um dos nossos colegas, com desdém, exaltou-se e disse:

– Meu amigo, pra que a gente vai estudar obrinha láaa... – e apontou para o vazio, como a indicar a direção do lugar, que não sabia e que, no seu desprezo e ignorância, pouco se importava em saber. – A gente tem que estudar é pra concurso... – sentenciou com a maior convicção do mundo.

Um dos da roda, participante ativo dos tais estudos, fitou-o como se lhe fosse dar um soco. Respirou uns dois segundos e respondeu ao homem jovem que acabara de cuspir no rosto de um intelectual anterior a Cristo.

– Cada um tem seu objetivo quando estuda. Se o seu é passar em concursos – e o olhar fuzilante dizia, por trás da voz calma, “animal, ignorante, besta decoradora de assuntos!” – problema seu!...

Eu não reprovaria o nosso colega, e creio que nenhum do círculo o faria, se ele tivesse ido às vias de fato e dado uns bons sopapos no profanador do poeta milenar em cuja obra estão idéias sobre as quais se assentam bases da nossa civilização. Nosso amigo seria absolvido pelo soco providencial.

Ousais então dizer que este feito

somente a mim se há de atribuir?

Não deveis mesmo acreditar que eu seja

seu colega de turma; sob a forma

de condiscípulo deste homem tolo

foi na verdade o gênio vingador

acerbo e antiqüíssimo de Ésquilo,

do poeta genial, que se quitou

do sacrilégio ímpio a sua obra

ao cair de porradas neste bruto.

Filipe Cavalcante

11-12.05.2010

domingo, 28 de novembro de 2010

OLAVO, GRANDE OLAVO


Em homenagem ao grande Bocage e ao grande Bilac:

Olavo, grande Olavo

Olavo, grande Olavo, semelhante
acho teu fado ao meu, quando versejo.
Igual causa nos fez, do lar no adejo,
achar a solidão, negro gigante.

Como tu, junto aos livros estafantes
de normas pra lembrar, no horror me vejo.
Como tu, a alegria em vão desejo,
os amigos lembrando, e a bela amante.

Ludíbrio, como tu, do curso errado,
Meu fim deve ser Letras, não Direito.
Sei que só terei paz tendo mudado.

Sigo o modelo teu, mas... imperfeito!...
Por que se imito os transes do teu fado,
não te imito na audácia do teu feito.


Filipe Cavalcante
08.11.2010

Soneto de Bocage

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

PARNAÍBA 19 DE OUTUBRO


Leonardo de Carvalho Castello Branco



Dr. João Cândido de Deus e Silva



Simplício Dias da Silva


"Aqui começou o movimento pioneiro; espalhou-se a fagulha da independência que, célere percorria todas as Capitanias. Tudo girava em torno da emancipação! Tanto é que antes de chegar a notícia alvissareira do feito do Ipiranga, já na faustosa Vila de São João da Parnaíba os patriotas antecipavam o gigantesco movimento naquela memorável manhã de sol ardente de 1822. Todo o movimento foi elaborado com ardor e entusiasmo na “Casa Grande da Parnaíba”, onde os planos de libertação foram forjados sob a liderança de Simplício Dias da Silva, de ação calma, enérgica e refletida, eminentemente combativa, com o apoio tenaz de João Cândido de Deus e Silva, o propagandista inflamado da libertação. Outro vulto do movimento foi Leonardo de Carvalho Castelo Branco, alma coração e dínamo da revolução. O pugilo de bravos, ali, no Largo da Matriz, que é a legendária Praça da Graça, dá o grito de independência e aclama o senhor Dom Pedro, príncipe regente, como Defensor Perpétuo do Brasil, entre as mais vivas e ruidosas manifestações dos populares que ali se postavam. Na casa da Câmara, hoje Edifício dos Correios, foi lavrada a ata dos acontecimentos. Desta maneira, o 19 de Outubro tornou-se um dia de glória."
Mario Pires Santana, em http://www.meionorte.com/josefortes/o-19-de-outubro-dia-do-piaui-104267.html



Parnaíba 19 de outubro

Dezenove de outubro – grande data

do dia portentoso, de memória

que não se olvidará. A sua glória

em vosso peito o tempo não abata.

Quando preciso, soube esta pacata

cidade erguer-se brava, de irrisória,

gravando nos anais da sua História

que vis grilhões seu povo não acata.

Já mostrou Parnaíba ao Brasil todo

que é a mais brasileira das cidades.

Heroísmo há no seio deste povo.

Intrépidos erguemo-nos do lodo

pra proclamar as nossas liberdades.

Se for preciso, erguemo-nos de novo.


Filipe Cavalcante.

26.IX.2009

domingo, 10 de outubro de 2010

SIMPLÍCIO DIAS DA SILVA

Homenagem ao grande homem da antiga Parnaíba.



Simplício Dias da Silva

Da igreja que construíste,
daquelas ruas e esquinas,
do teu túmulo, da praça,
da Casa Grande em ruínas
emana a tua memória,
heroicamente imortal

Na memória vêm uns trechos
deveras tendenciosos
que trazem a ouvir histórias
dos atos perniciosos
de um homem muito cruel,
de uma alma sem piedade.

Para nos narrar absurdos
teu nobre nome mancharam.
Mas que importam teus defeitos,
se os heroísmos ficaram?
Todos os homens são falhos.
Até os grandes heróis.

Nada disso nos importa.
Que mal, se foste severo?
O que vale realmente
é o teu enorme esmero
na luta por ideais
em prol da posteridade.

Da igreja que construíste,
daquelas ruas e esquinas,
do teu túmulo, da praça,
da Casa Grande em ruínas
a tua ordem de ação,
o teu brado firme ruge:

Liberdade, liberdade! -
sempre será o teu grito,
ecoando pelos séculos,
nos enchendo do infinito
que se esconde na palavra
liberdade. Liberdade!


Filipe Cavalcante
Santa Inês (MA), 25-26.VII.2009

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

INQUIETAÇÃO




Céus! O blog estava dormindo desde a primeira postagem!
Bem, para acordá-lo, tendes um soneto inédito.
Comecemos as atividades!


Inquietação

Andando nesta estrada, eu, vezes tenho sido

indagado por mim, minha própria consciência,

se a caminhada aqui devo fazer ou vence-a

outra vontade – embora em calma eu vá vestido.

Vez muita acho que quero o outro caminho ou crido

tenho que prosseguir é melhor conveniência.

Como serei feliz na decisão? Eu pense-a

pra que não fique, a alma e o corpo, assim tolhido.

O caminho em que vou me dói, mas é seguro;

no outro vai o prazer, porém não vai o apuro.

Nesse, tão livre irei; neste o amor meu se esfuma.

No outro caminho corre a Poesia em mim, são

os dias todos festa. Aqui o coração

explode de paixões e eu não vivo nenhuma.


Filipe Cavalcante

Parnaíba (PI), 26.05.2010