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domingo, 11 de dezembro de 2011



Paganismo poético

Oh bons espíritos que em outro plano
têm bem patente o lume das ideias –
vossos estalos e onomatopeias
dão-me com que escapar de estar insano.

Acompanhando a dor a cada dano
e derrota na busca de epopeias,
com magnólias, rosas e azaleias
meu chão atapetais, deixando-o humano.

E pelo mundo vou, correndo risco,
e arremessado sou de pólo a pólo,
e encaro o temporal como a chuvisco.

Só peço não me tires, Febo Apolo,
só peço não me tires, São Francisco,
o dom da rima, com que me consolo.


F. C.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

INQUIETAÇÃO




Céus! O blog estava dormindo desde a primeira postagem!
Bem, para acordá-lo, tendes um soneto inédito.
Comecemos as atividades!


Inquietação

Andando nesta estrada, eu, vezes tenho sido

indagado por mim, minha própria consciência,

se a caminhada aqui devo fazer ou vence-a

outra vontade – embora em calma eu vá vestido.

Vez muita acho que quero o outro caminho ou crido

tenho que prosseguir é melhor conveniência.

Como serei feliz na decisão? Eu pense-a

pra que não fique, a alma e o corpo, assim tolhido.

O caminho em que vou me dói, mas é seguro;

no outro vai o prazer, porém não vai o apuro.

Nesse, tão livre irei; neste o amor meu se esfuma.

No outro caminho corre a Poesia em mim, são

os dias todos festa. Aqui o coração

explode de paixões e eu não vivo nenhuma.


Filipe Cavalcante

Parnaíba (PI), 26.05.2010